No âmbito dos debates atinentes à revisão do PDE existe um tema que tem preocupado, profundamente, os pesquisadores: o das mudanças climáticas locais. Estudos de pesquisadores de várias áreas do conhecimento e de diferentes instituições de pesquisa têm apontado mudanças significativas no ciclo anual das variáveis climáticas ao longo das últimas décadas em nosso planeta, com o aumento da temperatura do ar, mudanças nas taxas de precipitação, elevação do nível do mar e mais intenso derretimento de gelo nos polos. Estudos recentes destacam, também, a ocorrência na cidade de São Paulo do aumento do número de dias quentes, ondas de calor, tempestades severas, pancadas abruptas de chuva, alagamentos, deslizamentos de encostas e secas que afetam o abastecimento de água. As causas dessas mudanças devem-se, além da influência das alterações de nível planetário, a fatores como o aumento da área horizontal e vertical e o aumento da poluição do ar e do material particulado por conta, principalmente da frota de automóveis.No primeiro caso, o aumento da área urbana vertical e horizontal, constata-se o fenômeno da Ilha de Calor Urbana (ICU), designação dada à distribuição espacial e temporal do campo de temperatura sobre a cidade, apresentando-a como se fosse uma ilha quente localizada. As ICUs já alteram o clima local de maneira significativa e são provocadas por fatores como concentração de prédios (impacto de construções e sua volumetria sobre a temperatura), pouca arborização e retenção de calor pelo asfalto, sendo responsáveis, também, por afetar a saúde da população (estudos mestram que os mapas das ilhas de calor coincidem precisamente com o mapa da mortalidade por eventos cardiovasculares na cidade). A mancha urbana de São Paulo já é, em média, 3 graus C mais quente que o entorno. Nos dias de muito calor, a diferença pode chegar a 12o C.
O que era para ser uma palestra foi transformado em convite à população da cidade devido a importancia do tema em confronto direto com a revisão do Plano Diretor.


